Apesar do calor que faz em dezembro, é a herança européia que dá o tom do Natal no Brasil. Os presentes são entregues por um Papai Noel de luvas e gorro. E sobre a mesa, castanhas, nozes e damascos dão o tom da ceia.
“Cerca de 40% da nossa ceia de Natal é de importados”, diz Jorge da Conceição Lopes, que há 58 anos comanda a Casa Santa Luzia, em São Paulo. “castanhas, frutas secas, azeites, tudo isso vem de fora”, aponta.
Por conta disso, a disparada do dólar – que desde agosto subiu mais de 40% frente ao real – ameaça azedar a ceia de Natal. Produtos tradicionais como as nozes estão até 35% mais caros do que no mesmo período do ano passado. Frutas secas, bacalhau e até azeite estão pesando mais no bolso.
Mas se o que vem de fora subiu, o produto nacional traz a boa notícia: a maioria das frutas nacionais está com o mesmo preço do ano passado. Muitas estão, inclusive, mais baratas, como a nectarina (-14%), a uva rubi (-12%) e o abacaxi (-18%).
“A principal dica é que consumidor opte pelos produtos nacionais. Nozes, por exemplo, não são para o nosso clima, a ceia é um produto de inverno”, diz Flávio Godas, economista do Ceagesp. “Você pode trocar a cereja, que é importada e subiu cerca de 15%, pela lichia, que está 26% mais barata este ano”.
Para quem não quer deixar de lado a tradição das frutas secas, também é possível trocar as importadas do Chile, Turquia e Itália pelas tropicais. “Muita gente já tem feito essa opção”, diz o comerciante Leonardo Chiappetta.
“A participação da fruta seca brasileira no meu balcão passou de um quarto para a metade. Só neste ano, o volume de vendas cresceu 25%. E você pode servir como sobremesa ou como entrada”, afirma.